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terça-feira, 22 de março de 2011
kataloki
hoje recebi meu exemplar de Kataloki, revista editada pelo Arnaldo Antunes, Nuno Ramos e Sérgio Papi em 1981. muita coisa boa pra se ver: os poemas vêm sem a assinatura do autor, que pode ser localizada num encarte todo desenhado a mão que vem em separado. gostei de muita coisa: gostei de conhecer mais poemas do Walter Silveira (será que se eu abrisse uma editora ele topava publicar um livro), gostei da presença do Mautner, do Waly, do Gilberto Gil, de alguns Titãs, gostei de ler poemas do Nuno Ramos daquela época, tão diferente, e dos cadernos do José Agripino de Paula.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
fotografia = luzescrita
Exposição na Bahia reúne Arnaldo Antunes, Walter Silveira e Fernando Laszlo com a proposta de fazer poemas usando a luz como suporte das palavras. De março a fevereiro. O trabalho poético de Walter Silveira é tão bom e tão desconhecido! Assim como ainda é o de Ronaldo Azeredo, um dos poetas concretos que tem um trajeto muito singular, principalmente depois de sua aproximação com Alfredo Volpi. Ainda hoje sonho em ver o álbum Mein Kalli Graphycs, do Walter, que foi um pouquinho divulgado no 40 escritos, do Arnaldo. Ele é inencontrável mesmo em estantes de raridades, nos sebos. Esse poema incendiário da imagem tem tudo pra ser do Arnaldo Antunes, e não do Walter Silveira, principalmente pela recombinação das sílabas após a leitura horizontal: depois de fome de sede, lemos fode, mede.
Essa outra imagem de divulgação já sugere um poema do Walter Silveira pelo trabalho tipográfico de transformação do A em +, a jogar com a outra vogal que a acompanha na palavra, o I, formando os dois polos de uma pilha (a própria "caixa preta"): POESIA / FILHA DA PILHA. A pilha, ao que parece, dá (como a puta) energia, ou luz (luz é energia), pra tudo que é máquina, pra tudo que é poema. (Lembra de "máquina de comover", Le Corbusier via Cabral?) É, como um "poema conceitual".
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